Nível de confiança e margem de erro em uma pesquisa eleitoral

Spread the love

Dois termos muito usados na divulgação dos resultados de pesquisas em eleições e que confunde muitas pessoas são o nível de confiança da pesquisa e a margem de erro da proporção de votos de um candidato, os quais estão diretamente relacionados ao tamanho de amostra utilizado para conduzir a pesquisa. Para quem nunca estudou Estatística, ouvir que foram entrevistadas 2 mil pessoas para uma margem de 95% de confiança gera uma sensação de que a pesquisa tem 95% de probabilidade de estar correta e 5% de estar errada. Pois bem, isto não é verdade e vamos explicar o porque.

A cada nova pesquisa realizada, uma amostra diferente será obtida e resultados ligeiramente diferentes serão produzidos. O que se espera é que, em média, a proporção de votos estimada por várias pesquisas realizadas com uma amostra coincida com a verdadeira proporção de votos do candidato em toda a população de eleitores. Fixado um determinado instante, a intenção de votos nas diferentes pesquisas de fato deve variar, mas a proporção de votos na população é uma só e está sendo estimada – com erro – por uma amostra.

Para acomodar as diferentes variações produzidas pelas pesquisas, introduzimos o conceito de nível de confiança e de margem de erro. À medida em que aumentamos o número de eleitores entrevistados, essa variação tende a diminuir e a confiança na pesquisa aumenta, diminuindo a margem de erro.

A situação mais comum é falar que uma pesquisa com 2.002 eleitores e 95% de confiança produziu uma proporção de votos de 40% para o candidato A e 35% para o candidato B com margem de erro de 2% para mais ou para menos. Neste cenário, devemos interpretar os resultados da seguinte forma:

  • A proporção de votos do Candidato A está entre 40% – 2% e 40% + 2%, isto é, 38% e 42% com 95% de confiança.
  • A proporção de votos do Candidato B está entre 35% – 2% e 35% + 2%, isto é, 33% e 37% com 95% de confiança.
  • De cada 100 pesquisas eleitorais produzidas com esta mesma metodologia, espera-se que em 95 delas o resultado da eleição para os candidatos A e B estará, de fato, dentro das intenções de voto indicadas na pesquisa. Em 5 delas, os intervalos encontrados não conterão o verdadeiro percentual de votos obtido pelo candidato na eleição.

Em Inferência Estatística, aprendemos que o tamanho de amostra necessário para uma determinada confiança varia em função da confiança desejada, do plano amostral e do tamanho da população, podendo ser reduzido se houver um conhecimento da proporção de votos de um dado candidato a priori. Para simplificar as coisas, os institutos de pesquisa se baseiam no cálculo do tamanho de amostra para o processo probabilístico de amostra aleatória simples – as pessoas são sorteadas aleatoriamente e todos da população tem a mesma chance de serem escolhidos. Na prática, é selecionada uma amostra por quotas envolvendo sexo, faixa etária, grau de escolaridade e renda em um processo não probabilístico, o que inviabilizaria o uso da metodologia descrita.

Você ainda tem dúvidas? Comente ou faça sua pergunta!

Sobre o Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Responder

Seu endereço de e-mail nunca será publicado. Campos obrigatrios marcados *

Você pode usar as seguintes HTML tags e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>