A morte de Eduardo Campos, as pesquisas eleitorais e as chances de Marina Silva

Eduardo Campos e Marina Silva
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O candidato a Presidência da República do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, morreu no dia 13 de agosto de 2014 por volta das 12hs em queda de um jato executivo com oito pessoas, incluindo assessores, no trajeto do Aeroporto Santos Dumont (RJ) para o Aeroporto do Guarujá (SP), na Base Aérea de Santos (SP). O avião teve dificuldade de pousar no Guarujá devido ao mau tempo e, ao arremeter, acabou caindo na Rua Vahia de Abreu, no bairro do Boqueirão, em Santos (SP). Eduardo Campos deixa cinco filhos, incluindo um recém-nascido, e a esposa Renata Campos.

Avião Eduardo Campos PR-AFA Jato Executivo Cessna

Avião Eduardo Campos PR-AFA Jato Executivo Cessna (Reprodução TV Globo)

A força de Marina Silva e a nova convenção do PSB

A candidata a vice-presidência do PSB, Marisa Silva, foi candidata às eleições presidenciais de 2010 e obteve 19.636.359 votos (19,3% dos votos válidos) no primeiro turno, se mostrando uma “candidata do futuro”, ou seja, opção viável para as Eleições de 2014 e subsequentes. Marina Silva tentou criar a Rede Sustentabilidade para ser candidata pelo novo partido, mas infelizmente não conseguiu o número mínimo de 496 mil assinaturas de eleitores válidas dentre eleitores de 9 Estados e teve a criação do partido rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Haverá, agora, uma nova convenção do PSB para decidir se Marina Silva será a candidata do partido à Presidência da República ou se outro nome será escolhido na convenção. Por um lado, Silva parece a candidata natural e conta com a força de quase 20% dos votos na última eleição. Por outro lado, com a provável conversão do projeto da Rede Sustentabilidade em partido político em 2015, pode não fazer sentido Marina ser a candidata de um partido e, eleita ou não, ir para outro partido que constitui seu projeto pessoal.

Como ficarão as pesquisas eleitorais?

Independente de quem o PSB escolher como candidato(a) à Presidência da República, as pesquisas eleitorais para Presidente deverão sofrer mudanças significativas e fora da margem de erro. No cenário de Marina Silva como candidata a presidente, muitos eleitores que desconhecem Campos e voltavam suas preferências à Aécio Neves e Dilma Rousseff devem migrar para Silva que, então, poderia dar a certeza de um segundo turno. No cenário sem Marina, é provável que os votos migrem para Dilma e Aécio em percentuais imprevisíveis antes de uma nova pesquisa e não se sabe os efeitos que isso produzirá nas chances de haver ou não um segundo turno.

Faltando menos de dois meses para o primeiro turno, o PesquisasEleitorais.com.br acredita fortemente que Marina Silva deverá ser a candidata do PSB a Presidência da República com um candidato a vice escolhido pelo partido para não ficar de fora de um eventual governo em caso de sucesso nas eleições. Também vê chances de Marina crescer nas pesquisas eleitorais, seja pela sua força nas eleições de 2010, seja por parte dos eleitores de Aécio e, principalmente, Dilma, votarem nela e não em Campos e, desta forma, Silva e Rousseff disputariam um segundo turno imprevisível e com menos chances de vitória de Dilma do que antes do acidente. A comoção popular com o acidente, a não criação do partido Rede Sustentabilidade e a insatisfação crescente com o governo petista poderá trazer à cena em uma espécie de “destino eleitoral” para “o bem de todos” segundo “os desígnios de Deus”, impulsionando a candidatura de Marina Silva para o segundo turno e para a vitória. Enquanto Campos era muito conhecido somente em Pernambuco e, quiçá, por parte do eleitorado da região nordeste, Marina Silva é conhecida no Brasil inteiro e já disputou eleições presidenciais com um percentual nada desprezível de votos, além de ter uma baixa rejeição.

Todas as atenções serão voltadas para as próximas pesquisas de intenção de voto do Ibope e Data Folha, com uma tendência de migração de votos que não se mostrará de uma vez – imaginamos que entre quinze dias e um mês será necessário para avaliar o impacto da morte de Campos nas pesquisas. Tudo dependerá de quem o PSB escolher e do grau de conhecimento da população sobre a mudança de candidatos, bem como sobre a escolha de um novo candidato.

Sobre o Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

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